segunda-feira, 24 de junho de 2013

Arquétipo de Ares

Por: Hellen Reis Mourão




Ares na mitologia grega era o deus da guerra. Filho de Zeus e Hera foi rejeitado pelo pai, que não se agradava dos modos agressivos do filho.
Atena, sua irmã, também era uma deusa da guerra, entretanto, Atena era de guerra estratégica, enquanto Ares tendia a ser a violência da guerra, da força bruta e da sede de sangue.
Teve muitos filhos e consorte, mas seu caso mais conhecido foi com Afrodite. Com ela teve um caso extraconjugal (Afrodite era casada com Hefesto).
Impressionada pelo vigor do jovem guerreiro, Afrodite se entrega aos encantos de Ares. Hefesto, com a ajuda de Hélios (o deus Sol), descobriu o adultério e planejou sua vingança. Em segredo forjou uma rede muito fina, quase invisível, porém muito forte que não podia ser destruída, e pendurou-a sobre o leito.
Quando Ares e Afrodite adormeceram, Hefesto soltou a rede sobre ambos e chamou todos os deuses para testemunhar o adultério. Tempos depois tiveram uma filha Harmonia, estabelecendo uma ligação equilibrada entre o amor e a paixão.


O arquétipo de Ares corresponde à força física, representando os instintos guiados pela vontade que não medem consequências. Corresponde também à competição e às reações intensas e apaixonadas (lembrando que ele foi amante da deusa do amor).
Ares também possuía a qualidade de coração, uma vez que reagia emocionalmente . Por várias vezes defendeu seus filhos e filhas e os vingou. Sendo, portanto, o arquétipo daquele que entra em uma luta pelos que lhe são caros.
É a raiva, a ira, a indignação, mas também a coragem para a luta necessária e para a sobrevivência.
Representa o filho criado sem a presença paterna, uma vez que foi rejeitado por Zeus.
Por idealizar e cultivar o pensamento e a racionalidade os gregos desprezavam Ares. Entretanto, como aponta a autora Jean Shinoda Bolen em seu livro “Os deuses e o homem”, o arquétipo de deus grego sedento por sangue evoluiu para o arquétipo de Marte romano. Nessa transição ele se tornou o protetor e defensor da comunidade. Se tornando aquele que luta pela segurança e pelos direitos dos outros. Ou seja, um grande líder.

Persona



A persona está a serviço da individuação, pelo lado positivo, pois mostra nossas aspirações, nosso desejo de reconhecimento e ela pode ser o caminho para a manifestação do Self.
A verdade é que saber usar no momento adequado a persona é educação e auxilia o individuo com uma facha mais polida, pois a vida exige diversas adaptações. Ela impulsiona a movimentação em direção ao coletivo.

 Por: Hellen Reis Mourão
A persona é um arquétipo, que possui como função básica a adaptação do individuo com o mundo externo. É uma função psíquica que ajuda na adaptação social, nos relacionamentos e nos intercâmbios entre as pessoas
Seu nome é inspirado pelo termo romano para designar máscara. A máscara que os atores utilizavam no antigo teatro greco-romano.
Portanto, ela simboliza o rosto que usamos para o encontro com o mundo que nos cerca.
Jung (2008) define persona como:
“A palavra persona é realmente uma expressão muito apropriada, porquanto designava originalmente a máscara usada pelo ator, significando o papel que ia desempenhar. Como seu nome revela, ela é uma simples máscara da psique coletiva, máscara que aparenta uma individualidade, procurando convencer aos outros e a si mesma que é uma individualidade, quando, na realidade, não passa de um papel, no qual fala a psique coletiva.”
A persona é muito importante e não significa necessariamente falsidade. Afinal de contas nós não podemos nos comportar no trabalho da mesma forma que nos comportamos em um barzinho com os amigos. Se fizéssemos isso, perderíamos nossos empregos.

Essa é construída pela educação; começando na família de origem, na escola, na cultura em que se está inserido, entre outros fatores.
Essa instância psíquica só passa a ser prejudicial quando o ego se identifica apenas com um papel. Se afastando a ponto de se esquecer de sua verdadeira essência.
Um exemplo disso é o homem de negócios que leva trabalho para a casa e não dá a devida atenção à família, a ponto de terminar sendo abandonado por ela.
Sobre outro efeito negativo da persona Jung (2008) diz:
“A persona é um complicado sistema de relação entre a consciência individual e a sociedade; é uma espécie de máscara destinada, por um lado, a produzir um determinado efeito sobre os outros e por outro lado a ocultar a verdadeira natureza do indivíduo. Só quem estiver totalmente identificado com a sua persona até o ponto de não conhecer-se a si mesmo, poderá considerar supérflua essa natureza mais profunda. No entanto, só negará a necessidade da persona quem desconhecer a verdadeira natureza de seus semelhantes. A sociedade espera e tem que esperar de todo indivíduo o melhor desempenho possível da tarefa a ele conferida; assim, um sacerdote não só deve executar, objetivamente, as funções do seu cargo, como também desempenhá-las, sem vacilar a qualquer hora e em todas as circunstâncias.”
Enquanto arquétipo, a persona está contida no inconsciente coletivo. Portanto, ela possui certa autonomia em relação ao ego, podendo “engoli-lo”, a ponto de fazer o individuo se comportar de uma forma unilateral em todas as situações externas, o que gera grandes problemas de adaptação social.
A identificação com a persona, por parte do ego leva a uma perda dela, pois ai se manifesta outro arquétipo, o da sombra, que constela de forma a compensar a atitude unilateral do ego.
Como mediadora entre o ego e o mundo externo a persona forma um par de opostos com a anima (ou animus), que são os mediadores entre o ego e o mundo interno. A persona se ocupa com a adaptação do individuo ao coletivo, já a anima/animus estão ocupados com a adaptação àquilo que é pessoal, interior e individual.
Tanto persona, como anima, animus e sombra não são a totalidade psíquica, são complexos dentro da psique total. E como complexos eles podem nos tomar a qualquer momento.
A persona pode diferir em muito da personalidade verdadeira do ego, no entanto, estar consciente de que é apenas um papel que se está desempenhando em prol da adaptação ao coletivo e de que isso não vai interferir na vida privada, traz benefícios.

Um ego bem estruturado relaciona-se com o mundo exterior através de uma persona flexível; alavancando o desenvolvimento psicológico e o amadurecimento.
A palavra de ordem, então, para o ego passa a ser flexibilidade. Flexibilidade para colocar a devida máscara no momento certo e aprender a tirá-la quando devido e relaxar dos papéis sociais.
Quando o ego se compromete excessivamente aos ideais coletivos, a persona passa a mascar a individualidade mais profunda. Nesse caso a dissolução da identificação com o papel exercido é extremamente necessária para o processo de individuação.
Ao longo da vida muitas personas serão usadas, muitas máscaras serão colocadas. Faz parte do processo de individuação reconhecer as máscaras que usamos em cada momento, mas também devemos buscar aquilo que há de mais individual em nós, aquilo que ninguém pode copiar, pois é único e exclusivo.

Referência Bibliografica:

JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

terça-feira, 11 de junho de 2013

O que são arquétipos?

Por: Hellen Reis Mourão



Antes de iniciar a definição do conceito de arquétipo é importante entender como Jung dividiu a psique.
Para Jung o inconsciente possui duas camadas. À camada mais superficial do inconsciente ele denominou de inconsciente pessoal cujos conteúdos foram adquiridos individualmente e que formam as partes constitutivas da personalidade individual, sendo passiveis de se tornarem conscientes. À segunda camada, mais profunda, Jung denominou de inconsciente coletivo. Nessa camada os conteúdos são de ordem impessoal e coletiva, e representam uma base da psique universalmente presente em todas as culturas e povos e sempre idêntica a si mesma.
Em O Eu e o Inconsciente Jung diz:
“Já propus antes a hipótese de que o inconsciente, em seus níveis mais profundos, possui conteúdos coletivos em estado relativamente ativo; por isso o designei inconsciente coletivo.”
O inconsciente coletivo é formado pelos instintos e pelos arquétipos.

Os arquétipos são componentes de ordem impessoal e coletiva que se apresentam sob a forma de categorias herdadas. São sedimentos de experiências constantemente vividas pela humanidade em um processo repetitivo.
Em Psicologia do Inconsciente, essa idéia da repetição é encontrada.
“O arquétipo é uma espécie de aptidão para reproduzir constantemente as mesmas idéias míticas; se não as mesmas, pelo menos parecidas. Parece, portanto, que aquilo que se impregna no inconsciente é exclusivamente a idéia da fantasia subjetiva provocada pelo processo físico. Logo, é possível supor que os arquétipos sejam as impressões gravadas pela repetição e reações subjetivas.”
Portanto, são qualidades e traços herdados e compartilhados por toda a humanidade.
Ao contrário do inconsciente pessoal, o inconsciente coletivo não se desenvolve individualmente, ele é herdado.
Os arquétipos, enquanto imagens primordiais, são frequentemente encontrados na mitologia, nos contos de fadas e lendas populares de diversas culturas. Neles encontramos situações similares como “a jornada do herói”, “a luta contra o monstro (dragão) para salvar a donzela“, etc. Bem com encontramos nos diversos panteões mitológicos imagens como o “o deus guerreiro”, “a deusa do amor”, “a grande mãe”, etc.
Para o mesmo arquétipo pode haver uma variedade de símbolos associadas a ele. Um dos arquétipos mais comentados e analisados é o arquétipo da Mãe, que não corresponde somente à mãe real de cada indivíduo. E em relação a ele há uma infinidade de símbolos, como a bruxa, a nutridora, a virgem, a natureza, etc.
Esses símbolos são capazes de ativar os complexos impulsionando a psique para a evolução, como um principio ordenador e mobilizador, mas também podem destruir e paralisar gerando neuroses, caso o indivíduo não aceite os complexos.
Sobre isso Jung (2012) diz:
“O fato de ter complexos, ao invés não implica uma neurose, pois normalmente são os complexos que deflagram o acontecimento psíquico, e seu estado dolorido não é sinal de distúrbios patológicos. Sofrer não é uma doença, mas o pólo oposto normal da felicidade. Um complexo só se torna patológico quando achamos que não o temos.”
É conveniente esclarecer, devido à grande confusão existente a respeito desse conceito, que os arquétipos são possibilidades de representação das imagens.
Em Arquétipos e o inconsciente coletivo, Jung diz:
“Há tantos arquétipos quantas situações típicas na vida. Intermináveis repetições imprimiram essas experiências na constituição psíquica, não sob a forma de imagens preenchidas de um conteúdo, mas precipuamente apenas formas sem conteúdo, representando a mera possibilidade de um determinado tipo de percepção e ação, Quando algo ocorre na vida que corresponde a um arquétipo, este é ativado e surge uma compulsão que se impõe a modo de uma reação instintiva contra toda a razão e vontade, ou produz um conflito de dimensões eventualmente patológicas, isto é, uma neurose.”
Os arquétipos, portanto, são formas preexistentes que só podem ser nomeados e representados quando acessam a consciência, por meio de imagens. A manifestação do arquétipo é pessoal, entretanto a base instintiva é a mesma para todos os seres humanos.

Assim como os antigos deuses necessitavam dos humanos para adorá-los, nomeá-los e para simplesmente existir em um mundo em três dimensões, os arquétipos universais necessitam da experiência humana para tomar forma em cada existência de modo único.



Bibliografia

JUNG, C. G. Aion – Estudo sobre o simbolismo do si-mesmo. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.
______. Arquétipos e o inconsciente coletivo. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.
______ A Natureza da Psique. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2009.
______ O eu e o Inconsciente, 21. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.
______ Psicologia do inconsciente, 18. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.
______ A prática da psicoterapia, 15. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

As três Graças ou Cáritas



As três Graças ou Cáritas, são deusas da mitologia grega correspondentes ao encantamento, a beleza, a natureza, a criatividade humana e a fertilidade da dança.
São filhas de Zeus e Hera conforme algumas versões ou filhas de Zeus e Eurinome, uma ninfa do mar, segundo outras.
Por causa de sua beleza essas deusas eram associadas à Afrodite e também com as musas devido à condição de deusas da dança.
Símbolo da fertilidade e da vegetação na Grécia Antiga elas eram, apesar das variações regionais, em número de três, cujos nomes mais freqüentes são: Aglaia/Abigail (o esplendor), Euphrosyna (a alegria) e Thalia (o contentamento).
Embora pouco relevantes na mitologia greco-romana, o tema das Graças, era recorrente na pintura renascentista e originou quadros célebres como A primavera, de Botticelli (14451510), e As três Graças, de Rubens (1577 - 1640).

As três Graças (detalhe de A Primavera de Botticelli).

Um dado curioso é que em Florença do século XV, os filósofos humanistas as viam como as três fases do amor: beleza, despertar do desejo e alcance da satisfação. Mas, curiosamente, também as viam como símbolo da castidade.
As Graças presidiam os banquetes, as danças, os encontros sociais e as ocasiões festivas. Portanto, isso faz delas o arquétipo associado a tudo o que nos traz prazer, contentamento e emoções positivas.
Em algumas versões do mito das Graças, associa-se Aglaia como esposa de Hefesto. De acordo com a mitologia Hefesto era um exímio artesão conferindo então as Graças, assim como as Musas o poder de conferir aos artistas a habilidade para criar o belo.
Isso as torna símbolo do que há de belo e harmônico no ser humano.Símbolo das criações mais elevadas da humanidade.
O fato de elas serem representadas em número de três, demonstra mais uma vez que era comum nas tradições mitológicas de vários povos a representação do feminino com uma tríade.
A Deusa Tríplice, em geral, está associada aos ciclos da vida humana, como por exemplo, o ciclo nascimento/vida/morte.
Exemplos dessa representação tríplice feminina na Grécia antiga são as Erínias e as Moiras. As Erínias como encarnação da vingança e da punição dos crimes, e as Moiras como representantes do destino humano e divino.
Sendo associadas à deusa do amor Afrodite, as três Graças podem ser consideradas um arquétipo da capacidade de dar e receber. As tornando símbolo da caridade.
Esse arquétipo, portanto, nos ensina que as virtudes do amor, da caridade e da produção da beleza mais elevada devem ser buscadas dentro de nós por meio do esforço individual. Superando nossa sede de vingança, representada pelas Erínias, para que o tecido da vida nos permita desfrutar a felicidade e o deleite proporcionados pelas Graças.