segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A função pensamento



Por: Hellen Reis Mourão



A função pensamento, assim como o sentimento, é uma função qualificada por Jung como racional.

Racional, no sentido como nós conhecemos. É nela que se encontram a análise lógica, cartesiana. Para essa função é necessário desenvolver uma tese, onde a introdução, análise, crítica e conclusão são inevitáveis.

No pensamento não há descanso enquanto não se encontra uma conclusão. A investigação faz parte de seu repertório. A curiosidade é altamente aguçada, levando a ao cerne das questões.

Essa função esclarece o que significam os objetos. Aqui não há valorização, como no sentimento, apenas o esclarecimento puro e simples.

Em Jung – Vida e obra, Nise da Silveira diz:

O pensamento esclarece o que significam os objetos...Julga, classifica, discrimina uma coisa da outra.

 Entretanto é pertinente deixar claro que o pensamento em si não se atrai pelo raciocínio abstrato, a não ser que esteja respaldado por uma forte intuição. O pensamento puro e simples como Jung compreendia se dirigia a um raciocínio lógico.

Os pensadores são hábeis em tomar uma distância panorâmica de problemas e dos temas a serem estudados.

Representantes dessa função podem ser encontrados em detetives e cientistas.

Os extrovertidos podem se tornar hábeis políticos, homens de negócios, advogados brilhantes, excelentes organizadores de serviços científicos, de firmas comerciais ou de setores burocráticos. Pois os pensadores extrovertidos são competentes em colocar em ordem lógica idéias já existentes.

No caso do pensador introvertido, há um interesse pela produção de idéias novas e originais. Por isso seus representantes são muitas vezes encontrados nos teórico,s como matemáticos e filósofos. Ou seja, aqueles que se deleitam em especulações filosóficas ou cientificas.

Mas o grande problema do tipo pensador reside justamente em sua função inferior, o sentimento que é indiferenciado e primitivo.

Embora seja capaz te ter afeições profundas, dificilmente conseguirá expressa-las. Marie Louise Von Franz compara a expressão de afetos do tipo pensamento a jatos de lava de um vulcão.

Outro grande problema está na valorização, que é algo típico da função sentimento. O tipo pensamento é desajeitado em suas relações sociais. A família de um pensador pode se sentir desvalorizada.

Portanto, tanto o extrovertido quanto o introvertido pensador é capaz de ferir e destruir, mesmo sem qualquer intenção de sua parte.

Já que a sua função sentimento é primitiva ele realmente não sabe discernir, pois o sentimento é a única função que consegue discriminar o que é útil ou não, o que é positivo do que é negativo. Por isso quando tomado pela função inferior o tipo pensante simplesmente descarta com frieza, pessoas e objetos, sem mesmo haver feito qualquer avaliação prévia. Esse tipo, portanto, é aquele que rompe abruptamente uma relação, pensando que está pautado em fatos, mas não está.

Outro ponto sensível em sua personalidade é a ética, outra característica da função sentimento. Na função pensamento a ética é por vezes deixada de lado. Um cientista em busca da conclusão de seus estudos e da verdade pode ser taxado como frio e desumano.

Entretanto, sem querer aprofundar nessa questão, uma vez que é bastante polêmica, devemos levar em consideração que se não houvesse essa função na humanidade, vacinas não teriam sido desenvolvidas, bem como remédios e outros estudos que levaram ao nosso desenvolvimento.

Portanto, podemos concluir que todas as funções são de extrema importância para o nosso desenvolvimento pessoal e coletivo. O importante é buscarmos o equilíbrio de todas elas.



Referências
JUNG, C. G. Tipos Psicológicos. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1991.
VON FRANZ, M. L. A Tipologia de Jung – A função inferior. 7. ed.  São Paulo: Cultrix, 2007.
SILVEIRA, N. Jung: Vida e Obra. 20. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006.

domingo, 4 de agosto de 2013

O modelo Cristão

Nós ocidentais estamos todos sob a influência do mito de Cristo.
Cristo é o modelo daquele que viveu seu próprio destino. O ato de carregar a sua própria cruz simboliza aceitar seu destino sem se deixar influenciar pela pressão social.
E a  sua crucificação nos mostra que a única forma de alcançar a consciência é por meio do conflito. O conflito de estar suspenso entre os opostos suportando o sofrimento de uma escolha ética.
Cristo suportou o sofrimento não de uma escolha egóica, mas de uma determinação do Self, mantendo-se leal a ele.
Portanto, somente sendo leais aos nossos processos psíquicos, sem ceder aos caprichos do ego, e fazendo os sacrifícios necessários, encontraremos a verdadeira consciência.
E, no processo de individuação, cada escolha, cada sacrifício é pessoal e intransferível. Não podemos imitar o caminho de outro, nem mesmo o do próprio Cristo. Esse caminho é solitário e deve ser descoberto por cada indivíduo.