segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carl Jung e PNL: A congruência no processo de individuação



por Hellen Reis Mourão


Congruência é um termo utilizado pela Programação Neurolinguística que significa coerência. Ou seja, é uma similitude entre o que se diz e o que se faz.

Estar congruente é estar com a atenção totalmente voltada para aquilo que se está fazendo.

De acordo com Steve Andreas (também conhecido como John O. Stevens e Steve Stevens), autor conhecido da PNL, de obras como Sapos em Príncipe e Tornar-se presente, no estado de congruência não existe nenhum "tem que", "deveria", "escolhas", "desejos" ou "possibilidades" se introduzindo no que você está fazendo no momento.

Passamos a maior parte de nosso tempo em um estado não presente. No trabalho estamos pensando no que vamos fazer para o jantar, ou no encontro com amigos. Nossa mente é, na maior parte do tempo, inquieta.

No estado de congruência o pensar, sentir e agir estão em total acordo. Todo o seu ser está em harmonia.
Seu benefício é permitir nos concentrar completamente em uma atividade temporária e assim poder concluir algo, tirar aprendizados e apreciar momentos prazerosos.
Em termos psicológicos é um estar em sintonia com os processos psíquicos, com as determinações do Self.
Para entender o que é a congruência basta observar uma criança. Tudo o que ela expressa é com o seu ser total. Fome, sono, dor, alegria. Suas emoções se expressam com intensidade, não há repressão. Ela está plenamente em sua emoção.
Isso remete ao ditado do Zen-budismo: "Quando tenho fome, como; quando estou cansado, sento-me; quando estou com sono, durmo"
Entretanto, quando nos tornamos adultos esse estado é abandonado, uma vez que entramos em contato com os opostos. A criança vive na totalidade, seu ego ainda não se formou. Ela não tem noção dos opostos.
A incongruência advém de conflitos internos de partes que não estão em acordo. Uma parte nossa talvez queira comer demais, mas outra parte sabe que esse comportamento é nocivo a longo prazo.
Portanto, crescer é sair do estado de congruência. Pois se manter em total congruência é não ser capaz de escolher uma nova alternativa, de aprender algo novo, de examinar o futuro ou de se reportar ao passado de forma a aprender com experiências anteriores e de ser capaz de entrar no mundo das experiências de alguém. Resultando assim, em estagnação, infelicidade e total dependência das circunstâncias, pois não há como considerar novas possibilidades e nem de avaliar consequências de seus atos.
Em O Homem e seus símbolos, a autora junguiana Marie Louise Von-Franz fala a respeito desse processo de crescimento:
“Ao chegar à idade escolar a criança começa a fase de estruturação do seu ego e de adaptação ao mundo exterior. Esta fase em geral traz um bom número de choques e embates dolorosos.”
“As imperfeições do mundo, e o mal que existe dentro e fora de nós, tornam-se problemas conscientes; a criança precisa enfrentar impulsos interiores prementes (e ainda não compreendidos), além das exigências do mundo exterior.”
Todos esses choques, traumas, derivados do contato com as imperfeições do mundo externo e interno tira o indivíduo da congruência.
Todavia, por mais paradoxal que isso possa parecer, após o que Jung denominou primeira metade da vida, devemos voltar a congruência, por meio do processo de individuação. Mas agora não da forma inconsciente da infância, mas com a participação ativa do ego.
O processo de individuação consiste na harmonização entre o inconsciente e o consciente. Nele o ego participa conscientemente. Na infância o ego não tem consciência da totalidade, portanto, a criança não sabe que é congruente.
Portanto, nosso árduo desafio, dentro da individuação, é equilibrar esses dois opostos - congruência e incongruência – e conscientemente escolher o momento de estarmos congruentes, inteiros em algo.
A congruência, então, é uma condição fundamental dentro de um processo terapêutico, de forma que o indivíduo consiga se fazer presente em seu processo de individuação e tornar presente o que ocorre a sua volta.