quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A Função Sensação



Por:Hellen Reis Mourão

A sensação, em tese, é a nossa função mais primitiva.
Observando um bebê, nota-se que ele é todo sensação. Ele só quer se alimentar, dormir e ser acalentado. O som da voz da mãe e o seu cheiro são de extrema importância para ele. Quando cresce um pouquinho, o bebê quer tocar e levar tudo a boca. Essa é a sua forma de descobrir o mundo.
Portanto, a sensação é a primeira função que desenvolvemos. Com ela descobrimos o mundo. É a função dos cinco sentidos.
Todas as informações vindas de fora passam necessariamente pelos nossos sentidos. Portanto, com essa função descobrimos que algo existe.
Isso torna claro que a sensação constata a presença das coisas que nos cercam. Com ela descobrimos que algo existe, seja por meio do toque, paladar, visão, olfato ou audição.
Sem ela não conseguiríamos nos adaptar à realidade objetiva.
Além disso, ela á função do prazer, pois com ela é possível a apreciação sensorial das coisas. Sem essa função não apreciaríamos uma boa comida, uma boa música, um belo quadro.
Conforme Carl Jung, a sensação é uma função irracional. Ou seja, aqui não há raciocínio, nem julgamento. E ela forma um par de opostos com a intuição.
Essa função é que nos permite nos voltar para o aqui e agora. Ela nos dá o senso prático e realista. Por isso, as pessoas com função sensação principal são conhecidos como “pé no chão”.
Do ponto de vista positivo a sensação mantém as coisas funcionando. Representantes dessa função são sempre especialistas em algo, porque podem passar a vida exercendo a mesma função. Encontramos aqui os engenheiros, mecânicos, mestres na profissão, industriais, artesões, colecionador de objetos de arte e comerciantes que alcançam grandes êxitos em seus campos.
Gostam dos prazeres materiais, de festas (o famoso “bon vivant”), ou seja, de tudo o que lhes ativam os sentidos. Isso os torna extremamente requintados e sofisticados.
Como possuem um senso de realidade muito apurado, lidam de forma eficiente com todos os tipos de crises e emergências, possuindo grande capacidade de adaptação diante das exigências do cotidiano, diferentemente do intuitivo que possui uma dificuldade enorme em lidar com a realidade.
Tanto os introvertidos, quanto os extrovertidos são extremamente detalhistas. Por isso conseguem descrever minuciosamente os objetos, levando-os a se tornarem exímios em tudo o que fazem, pois a repetição e a rotina lhes aprazem.
São também organizados, pontuais e não esquecem compromissos.
Entretanto nem tudo são flores na vida do sensitivo.
Como para eles, só tem sentido o que é material e concreto, tudo o que é abstrato e subjetivo é renegado e visto como inferior.
Como vivem no aqui e agora e só o presente lhes importa, possuem um medo aterrador do futuro. Novas possibilidades, mudanças não são bem vistas.
Quando muito unilateral a função sensação pode paralisar o individuo, tornando–o incapaz de utilizar a imaginação, a criatividade para encontrar novos caminhos. Sua intuição primitiva e indiferenciada o faz seguir pistas erradas, levando-o a fracassos retumbantes.
Uma atitude unilateral de sua consciência reprime a intuição e esta passa a ser projetada, levando o indivíduo a medos, ciúmes, obsessões, premonições infundadas sobre doenças e infortúnios, idéias místicas de baixo nível e superstições. Surge também uma moralidade escrupulosa e ridícula.
Os introvertidos são tomados por fantasias arquetípicas concernente a acontecimentos futuros sofrem vertigens o que os levam a ter vertigens. A realidade que antes era bem vista se torna sombria.


Para finalizar o tema, é importante entender, que apesar do perigo da unilateralidade, a função sensação é de extrema importância para a vida.
Sem ela não teríamos a menor noção da realidade e do prazer. E nenhum projeto, aspiração, idéia e sonho tomariam forma na realidade. Nunca alcançaríamos nossos objetivos. Ficaríamos apenas no mundo das idéias e fantasias.



Referências
JUNG, C. G. Tipos Psicológicos. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1991.
SILVEIRA, N. Jung: Vida e Obra. 20. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006