quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Arquétipo de Afrodite

Por: Hellen Reis Mourão



Afrodite para os gregos, Vênus para os romanos é a deusa do amor, da beleza e da sexualidade. A mais bela e a mais irresistível das deusas gregas.
De acordo com a Teogonia, de Hesíodo, ela nasceu quando Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e arremessou-os no mar; da espuma surgida ergueu-se Afrodite.
De acordo com Junito Brandão, em Mitologia Grega vol 1, Afrodite seria uma divindade obviamente importada do Oriente. Uma forma grega da deusa semítica da fecundidade e das águas fertilizantes, Astarté.
Em outras fontes, como a Ilíada, Afrodite seria filha de Zeus e Dione, levando o título de Dionéia.
Devido a essa dupla origem da deusa houve uma diferenciação da mesma, estabelecendo dois títulos a ela. A Afrodite Urânia e Pandêmia.
Pandêmia seria a inspiradora dos amores comuns, vulgares, carnais, ou seja, dos desejos incontroláveis, e a Urânia, a inspiradora de um amor etéreo, superior, imaterial, através do qual se atinge o amor supremo.
Afrodite teve diversos amantes, tanto deuses como Ares, quanto mortais como Anquises. A deusa também foi de importância crucial para a lenda de Eros e Psique, e foi descrita, em relatos posteriores, tanto como amante de Adônis quanto sua mãe adotiva. Enéias, Hermafrodito e Priapo também são seus filhos.
Ela levava deuses e mortais a se apaixonarem podendo se destruir ou criar nova vida.
Afrodite era uma Deusa tipicamente oriental, e nunca se encaixou bem no mito grego: parecia uma estranha no ninho! Por isso é tida como deusa alquímica, diferentemente das outras deusas que eram divididas em dois grupos: as virgens (Artemis, Atena e Héstia) e as vulneráveis (Hera, Deméter e Perséfone). Afrodite é ao mesmo tempo vulnerável (devido ao fato de ter tido relacionamentos) e virgem (pois nunca se deixou ludibriar, nem dominar por ninguém), e também não é nenhuma delas.
Pode-se notar que esse é um arquétipo difícil em uma sociedade patriarcal, pois Afrodite é o arquétipo da mulher que escolhe com quem irá se relacionar, da mulher que conhece e aceita o seu desejo e não se deixa dominar. Aqui há intensidade dos relacionamentos, mas não necessariamente a permanência.
Arquétipo do amor, da beleza, da atração erótica, da sensualidade, da sexualidade e da vida nova. Ela também é a “química” entre os amantes, a que gera um desejo irresistível.
Afrodite Pandêmia é apenas o amor carnal, o desejo sexual puro e simples. Aqui o desejo carnal é apenas para a satisfação de desejos e procriação.
Já Afrodite Urânia representa o arquétipo do amor que transforma. Simbolizando a importância das relações no sentido de processo criativo. Arquétipo da intimidade física não apenas no sentido sexual, mas na representação de uma necessidade psicológica e espiritual.
Arquétipo, portanto, da paixão por alguém ou algo, gerando um processo criativo na psique, do qual pode emergir algo novo. Amor desligado da beleza do corpo, mas da beleza da alma, levando a criação do legado que cada indivíduo irá deixar.