quinta-feira, 6 de março de 2014

Para que servem os mitos?





Por: Hellen Reis Mourão




Todos os povos antigos possuíam a sua própria mitologia. Cada mitologia demonstra a forma como cada povo pensava a respeito de suas origens e também como imaginavam a estrutura fundamental de sua existência. Revelando a alma de um povo.

Conforme Carlos Byington, os mitos nos mostram os caminhos que percorrem a Consciência Coletiva de uma determinada civilização durante a sua formação, e também a delineação do mapa do tesouro cultural através do qual a Consciência Coletiva de um povo pode, a qualquer momento, voltar para realimentar-se e continuar se expandindo.
Os mitos nos trazem a percepção das ideias, não são histórias literais. Não se apreende o mito via intelecto, pois o mito fala a linguagem da alma, uma linguagem simbólica.
Eles dão formas aos arquétipos, uma vez que eles não podem ser contatados diretamente pela psique, pois no inconsciente coletivo eles não possuem formas definidas.
Segundo Joseph Campbell, os mitos “transmitem mais do que um mero conceito intelectual, pois, pelo seu caráter interior, eles proporcionam um sentido de participação real na percepção da transcendência”.

Transpondo para o nível individual pode-se afirmar que os mitos nos levam a experiência de nos sentirmos vivos. Traz-nos a sensação de que nossa vida no plano físico tem ressonância com nosso mundo interior, aquele mundo que habita nosso ser mais profundo.
 

Conforme Joseph Campbell em O Poder do Mito.
“Quando a história está em sua mente, você percebe sua relevância para com aquilo que esteja acontecendo em sua vida. Isso dá perspectiva ao que lhe está acontecendo. Com a perda disso, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada semelhante para pôr no lugar. Esses bocados de informação, provenientes dos tempos antigos, que têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, que construíram civilizações e enformaram religiões através dos séculos, têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limiares da travessia, e se você não souber o que dizem os sinais ao longo do caminho, terá de produzi-los por sua conta. Mas assim que for apanhado pelo assunto, haverá um tal senso de informação, de uma ou outra dessas tradições, de uma espécie tão profunda, tão rica e vivificadora, que você não quererá abrir mão dele.”